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Não podemos falar de produtividade sem falar de saúde mental

Na semana em que se comemora a saúde mental (10 de outubro), importa reter que

os custos com as doenças mentais são enormes para indivíduos, empregadores e sociedade.


In Jornal Expresso | António Brochado Correia | Sócio da PwC


" A relação entre o trabalho e a saúde mental é estreita e diretamente proporcional: quanto mais saudável for o trabalhador, melhor deverá ser o seu desempenho.


Como determinar como está a nossa saúde mental? Quais os principais fatores que a definem e como podemos promover

maior consciencialização?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “não existe saúde sem saúde mental”, que podemos definir como sendo o estado de bem-estar geral em que cada indivíduo compreende o seu próprio potencial, lida com as suas tensões da vida, trabalha produtivamente e é capaz de dar um contributo para si próprio e para a sociedade.


Uma das causas que o explica é óbvia e cultural. O que pode parecer, à partida, um conceito simples, capaz de ser monitorizado, torna-se rapidamente um palavrão perdido entre o desenrolar desenfreado do nosso dia a dia.


Aos poucos, e inconscientemente, acabamos por negligenciar esta parte fundamental do nosso bem-estar. Não é assim quando, de um jeito tipicamente português, respondemos que “vamos andando” quando nos perguntam se estamos bem?


A importância do papel que a saúde mental desempenha nas nossas vidas tem vindo a aumentar, conforme podemos verificar, também, pela sua inclusão no 3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas — “Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades”.


Segundo um estudo recente da Ipsos, a obesidade, a saúde mental e o stresse são os principais problemas globais de saúde das pessoas, ficando apenas atrás do cancro. Sabemos hoje que as doenças e as perturbações mentais são a principal causa de incapacidade na sociedade, prevendo-se que passem a ser a primeira causa já daqui a 10 anos, em 2030.


Cerca de 13% da população mundial sofre de alguma perturbação mental ou abuso de substâncias, com a depressão e a ansiedade a liderar. Estima-se ainda que uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofra, tenha sofrido ou possa vir a sofrer depressão.


Em Portugal, as perturbações mentais comuns, como a ansiedade e a depressão, são uma das principais causas de incapacidade para a atividade produtiva e para um normal desenvolvimento enquanto cidadãos.



Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, somos o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa, estimando-se que quase um em cada quatro portugueses sofra de uma perturbação psiquiátrica (22,9%).


A depressão afeta 20% da população portuguesa e é considerada a principal causa de incapacidade e a segunda na perda de anos de vida saudáveis.

Somos, há vários anos, o maior consumidor europeu de benzodiazepinas (tranquilizantes ou ansiolíticos), com valores também relevantes nos antidepressivos e no consumo de bebidas alcoólicas.